CONFERÊNCIA

Conferência de abertura: Consiliência ou bipolarização epistemológica? Sobre o persistente fosso entre as ciências da natureza e as da sociedade - e o papel dos geógrafos

“Entendamo-nos quanto a um ponto básico: diferençar não é o mesmo que separar. Diferençar é estabelecer uma distinção; separar é promover uma disjunção, uma desunião. Somente quando estamos diante de duas entidades podemos pensar em integrá-las ou articulá-las; quando se trata de uma única e homogênea entidade, falar em integração seria, evidentemente, non sense. E mais: em sentido forte, a integração pressupõe a alteridade, ou seja, a articulação de coisas diferentes e que permanecem diferentes, o que não é o mesmo que separadas. O conhecimento da “natureza primeira” – dos processos físicos, químicos e biológicos, e mais especificamente dos processos geoecológicos que deles são desdobramentos – e o conhecimento da sociedade – mais particularmente, em nosso caso, da produção social do espaço – possuem suas especificidades epistemológicas e metodológicas, por mais que também existam convergências e uma necessidade de diálogo e cooperação. Reconhecer essa necessidade é algo legítimo e mesmo fundamental (...). O que não é legítimo é agir, na prática, como se a integração de saberes tivesse como requisito a anulação ou o enfraquecimento da identidade do Outro. Isso não seria uma integração: seria uma unificação pautada pela hierarquização e subordinação epistemológicas e metodológicas de uma das partes envolvidas pela outra (...).”

Conferencista: Prof.Dr. Marcelo Lopes de Souza

Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialização em Sociologia Urbana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado em Geografia (área complementar: Ciência Política) pela Universität Tübingen (Alemanha). Foi professor convidado na Technische Universität Berlin, na Universidad Nacional Autónoma de México/UNAM, na Europa-Universität Viadrina em Frankfurt (Oder) e na Universidad Autónoma de Madrid (2013-2014), além de pesquisador convidado na Universität Tübingen e na University of London. Agraciado com o Prêmio da Sociedade Alemã de Pesquisas sobre a América Latina, por sua tese de doutorado, em 1994. Agraciado com o Prêmio Jabuti em 2001, por seu livro "O desafio metropolitano". Membro da Comissão de Coordenação do projeto internacional "Contested_Cities: Contested Spatialities of Urban Neoliberalism. Dialogues between Emerging Spaces of Citizenship in Europe and Latin America", financiado pela União Europeia. Membro do corpo editorial das revistas "Cidades" (Brasil) e "Antipode", além de ser editor-associado da revista "City" (Inglaterra). Tem dedicado sua atenção profissional ao estudo dos vínculos entre mudança social e organização espacial.